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Artigo

TOCAR - O SIGNIFICADO HUMANO DA PELE / Capítulo 5

Efeitos fisiológicos do tocar


Encontram-se mudanças significativas nas estruturas neurológica e imunológica e em funções do toque. A evidência de que a pele tem função imunológica vem sendo cada vez mais confirmada por numerosos pesquisadores.
A pele (sua camada mais externa - a epiderme) produz uma substância que é indistinguível imunoquimicamente da timopoietina, Hormônio da glândula timo, que está ativo na diferenciação de linfócitos T (responsáveis pela imunidade celular).
De algum modo até agora não compreendido, o timo confere competência imunológica aos linfócitos T, ou seja, dota-os da capacidade de se diferenciarem em células capazes de desempenhar determinadas funções especificamente imunológicas. Existem milhares de linfócitos T individualmente diferentes, cada um deles capaz de reagir a um antígeno específico e de destruí-lo.
A estimulação tátil ® efeitos fisiológicos quanto comportamentais profundos sobre o organismo.

Macacos da espécie Macaca radiata, depois que se separam de suas mães por 2 semanas, sofrem de uma supressão em seu funcionamento imunológico. Depois de devolvidos às mães, após 14 dias, retornaram ao nível normal de proliferação de linfócitos (Dr.Martin Reite e cols., Centro Médico da Universidade do Colorado - Grupo de Pesquisa em Psicobiologia do Desenvolvimento).

Uma depressão semelhante foi observada num par de macacos da espécie
Macaca nemestrina, criados juntos, quando separados durante 11 dias, na 17ª.sem, ocorreu uma depressão na resposta dos linfócitos e depois reunidos sua resposta de linfócitos voltou ao normal.

Os Drs.Butler e Schanberg (Faculdade de Medicina da Universidade Duke), demonstraram que a ODC (ornitina descarboxilase) é afetada pelo hormônio no rato prestes a ser desmamado e supostamente atua de modo decisivo na bioquímica do estresse. (ODC = enzima necessária à biossíntese das poliaminas putrescina e espermina, produtos finais da enzima, relacionados à regulação das sínteses protéicas e ácido-nucléicas, e reguladores importantes do crescimento e da diferenciação).

Filhotes de ratos quando privados da mãe,houve supressão específica de resposta tissular aos hormônios peptídeos promotores do crescimento ao lactogênio placentário. Quando devolvidos a suas mães, houve um rápido retorno aos níveis normais (Kuhn, Evoniuk e Schanberg).

Foram comparados os níveis de atividade cerebral,cardíaca e hepática da ODC, após 5 manipulações experimentais diferentes: 1) filhotes grupo controle deixados com a mãe por duas horas, 2) filhotes maternalmente privados por duas horas e 3) os maternalmente privados que receberam toques pesados e beliscão no rabo.
Resultados:
1) a atividade cerebral, cardíaca e hepática dos filhotes de rato maternalmente privados, caiu a níveis significativamente mais baixos que os evidenciados grupo controle.
2) a atividade ODC em filhotes manipulados com beliscão ou toques leves também se mostrou significativamente abaixo da dos níveis de controle.
3) Estas formas de estimulação não produziram aumento significativo da ODC superior aos ratos maternalmente privados da mesma ninhada.

Em outros experimentos, resultados semelhantes foram obtidos para hormônio do crescimento (HC) e foi investigada a possibilidade de a estimulação tátil poder elevar o nível da atividade da ODC e nível do HC no soro, já rebaixados pela privação materna.
1) A atividade da ODC no cérebro, coração e fígado e os níveis de HC em filhotes privados de mães por 4hs foram comparados a filhotes privados por 2hs e depois acariciados fortemente pelo mesmo período de tempo. Os níveis de HC no soro e de ODC no cérebro e no coração de filhotes que haviam sido tocados não foram significativamente diferentes dos do grupo controle.

2) Por outro lado, tanto a atividade da ODC quanto o nível de HC, em filhotes maternalmente privados e não manipulados absolutamente por quatro horas, mostraram-se significativamente mais baixos do que os dois animais de controle.
3) A atividade hepática da ODC em filhotes tocados também foi significativamente elevada, acima da dos filhotes maternalmente privados.

Os dados desses experimentos aportam evidências de diferenças bioquímicas entre os seres humanos que se beneficiaram de uma estimulação tátil adequada e os que não se beneficiam; essa, provavelmente mostrar-se-á capaz de aplicação para qualquer período da vida. A pessoa não amada, de qualquer idade, tem probabilidade de ser uma entidade bioquímica muito diferente da que foi adequadamente amada. Durante muitos anos, certas formas de incapacidade para crescer ou desenvolver geralmente eram caracterizadas por graus variáveis de retardamento mental, foram diagnosticadas como decorrência de insuficiência do hormônio da pituitária, especialmente do hormônio do crescimento, até que se descobriu que a inadequação da pituitária, o assim chamado hipopituitarismo idiopático, e os problemas por ele causados são realmente devidos a um amor inadequado por parte dos pais, especialmente a mãe. Este problema está sendo atualmente denominado de “nanismo psicossocial”, ou “nanismo por carência maternal” ou “hipossomatotropinismo reversível”.

Os Drs.Poliu, Bramiu e Brizard (Depto Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade John Opens) foram os primeiros a identificar que o chamado hipopituitarismo idiopático não era devido a uma má formação da glândula pituitária, mas que era o resultado de condições psicossociais desfavoráveis.

Os clássicos trabalhos sobre separação materno – filial de Margaret Ribble, René Spitz, Anna Freud e Dorothy Burlingham, William Goldfarb, Ashley Montagu, John Bowlby, James Robertson, todos publicados entre 1943 e 1957, chamaram atenção para os efeitos indesejáveis da privação materna e , embora na maioria dos casos mal se tivesse feito referência ao tocar, é muito claro em cada uma dessas pesquisas que um componente principal da produção de todos esses efeitos negativos sobre a criança era falta de contato com a mãe.

Fonte: Tocar: o significado humano da pele, Ashley Montagu


Berenice Chiarello, baseado em Ashley Montagu