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TABAGISMO

Os motivos para começar e a dificuldade de parar

 

Depois de 18 anos vivendo como fumante, a advogada Simone R., de 33 anos, sentiu-se incomodada com o vício a ponto de decidir que iria abandoná-lo. Entre os efeitos indesejáveis que a fizeram tomar a decisão, ela aponta a perda da capacidade respiratória que ela sentiu mais ao fazer exercícios, o fato de ficar impregnada com o cheiro, restrições aos locais de fumantes e o agravamento de seu quadro alérgico. Além disso, ela conta que perdeu o prazer de fumar, e que isso “já se tornava um ato mecânico e inconsciente”.

Simone, que está há duas semanas sem fumar, acendia cerca de dez a 30 cigarros por dia nas fases que considera mais “intensas”. Ao explicar os fatores que a levaram a começar a fumar, ela não ressalta nenhum ponto que poderia ser considerado positivo e não se mostra saudosa de nenhum prazer possivelmente associado a ele. Pelo contrário. “No princípio você se sente tonto e enjoado, mas por alguma razão psicológica acaba insistindo e se viciando. Algumas amigas começaram porque achavam elegante visualmente, outras porque (fumar) demonstrava independência, já que já eram ‘adultas’. Eu comecei porque era tímida, e assim tinha o que fazer ‘na falta do que fazer’ (risos). E tinha o fator socializante com outros fumantes”.

A jornalista Roberta L., de 26 anos, começou a fumar por motivos parecidos com os de Simone. “Eu comecei a fumar pra fazer um estilo e, acredito, também por insegurança, já que o cigarro é uma ótima maneira de ficar envolvido com você mesmo e de nos ‘proteger’ das outras pessoas. Você consegue parar, esperar e entrar no contexto de qualquer ambiente quando está fumando. Parece estranho, mas era assim que eu me sentia”. Um outro efeito, que aparentemente parecia positivo, no entanto, acabou se revelando problemático. “Tem um efeito calmante, mas ao mesmo tempo nos dias em que eu fumava muito eu também ficava mais ‘ligadona’, acabava até dormindo menos”.

Da mesma forma que Simone, Roberta decidiu parar de fumar impulsionada por preocupações com seu bem-estar. Ela conta que primeiro tentou parar porque seu namorado abandonou o vício. “Não deu muito certo, eu fumava escondido. Quando eu resolvi que ia parar de fumar de verdade, eu estava preocupada com a minha saúde. Estou querendo ficar mais saudável, comer melhor, fazer exercícios e parar de fumar. Quero me sentir mais bem disposta e jovem”.

O site do Inca Instituto Nacional do Câncer confirma que os fumantes têm resistência física e fôlego menores do que os não fumantes, e ainda desempenho mais baixo em esportes e na vida sexual. “Além disso, envelhecem mais rapidamente e apresentam um aspecto físico menos atraente, pois ficam com os dentes amarelados, pele enrugada e impregnada pelo odor do fumo”, diz o site do órgão, vinculado ao Ministério da Saúde e responsável pela coordenação da política de controle do câncer e doenças relacionadas ao tabagismo no Brasil.

O tabagismo, hoje, é classificado internacionalmente no grupo dos “transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias psicoativas”. O processo de abandono do cigarro traz alguns efeitos colaterais e pode apresentar dificuldades. O ganho de peso, por exemplo, é um dos aspectos que desanimam. O Ministério da Saúde recomenda aos médicos que incentivem que os fumantes que querem largar o cigarro façam exercícios físicos, para compensar esse problema.

Simone e Roberta encontraram dificuldades diferentes e em níveis variados ao decidirem parar de fumar. “No momento, uso aqueles adesivos Niquitin e distraio a ansiedade comendo alguma coisa saudável e light”, conta Simone, que criticapropagandas de televisão que dão a entender que para abandonar esse vício “basta querer”. Ela concorda que a força de vontade é essencial, mas afirma que os preços dos medicamentos para ajudar no processo são altos demais. Uma caixa dos adesivos que ela está utilizando custa R$ 40 por semana, sendo que o tratamento tem duração mínima de oito semanas.

“Quando me dá muita vontade de fumar, eu masco um chiclete comum. É o que me distrai mais. Só tive recaídas duas vezes desde o início do ano e acho que agora não vou ter mais. Estou mais determinada, e fica mais fácil depois de um tempo também. Até porque eu sinto mais falta quando saio à noite pra dançar ou quando bebo, e eu não quero parar de fazer estas coisas, então tive que entender que elas não estão relacionadas ao cigarro”, explica Roberta.

Dificuldades à parte,duas ex-fumantes já estão sentindodelícias do abandono do tabaco. Simone, sem fumar há duas semanas, esqueceu de colocar o adesivo duas vezes e a vontade surgiu. “Tentei fumar e me enjoou em dois tragos, ou seja, meu organismo começa a se readaptar. Me sinto também com mais disposição no dia-a-dia, e parei de brigar com meu estômago, já que tinha indisposição frequentemente enquanto fumante”.

Se alguém ainda precisar de estímulo para largar o cigarro, Roberta cita mais vantagens de sua “vida nova”. “O meu fôlego pra subir escadas já é melhor e, depois de um breve período de insônia, eu passei a dormir melhor. Sem contar queminhas roupas não ficam mais com cheiro ruim”.

Fonte:
Brasil Medicina

 

Camila Leporace