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Sucesso e Fracasso |
Podemos supor que no início da formação da sociedade, todos os homens tinham o mesmo grau de desenvolvimento próximo ainda do instinto animal. Quando se conseguia alguma melhoria ou avanço em determinada área, era comum copiar tal invenção ou descoberta, para que os ganhos obtidos também fossem usufruídos por mais indivíduos e não só por quem dominava aquela determinada técnica. Em um filme chamado “A guerra do fogo”, o homem é retratado em seus primórdios, na idade da pedra, quando ainda não eram todos que sabiam fazer fogo. O filme mostra a preocupação dos homens em tomar esse conhecimento de quem o possuía, pois o fogo dava poder não só sobre o outro, mas sobre o frio, a fome, o escuro, os animais perigosos e outros verdadeiros inimigos do ser humano. Quando, por fim, todos os homens tiveram acesso ao fogo, acabaram-se as brigas por ele. Hoje em dia, por vezes, agimos como o homem primitivo diante do sucesso do outro, freqüentemente ignorando a idéia de progresso, ou seja, se não encontrar em mim as respostas já conhecidas pelo outro, vou me sentir um fracasso. O sucesso do outro, portanto, me incomoda pois revela minha incompetência, ou seja, sinto a dor do meu fracasso através do sucesso do outro, mesmo sabendo que ele não é culpado por essa minha dor. Assim a sociedade foi se construindo e, ao longo da história, o sucesso de um acabou sugerindo o fracasso do outro. Muitas pessoas preferem fracassar juntas a partirem em busca de seus objetivos e desejos, pois não acreditam em sua capacidade de obter êxito. Se a auto-estima e autoconfiança do indivíduo forem baixas, dificilmente ele obterá sucesso e provavelmente depreciará uma pessoa bem-sucedida na vida. Destruindo as qualidades do outro, ele se iguala e ameniza a angústia do fracasso. Aparentemente, é mais fácil destruir uma pessoa que tem sucesso do que trabalhar para concretizar nossos objetivos. O sucesso do outro parece impor às pessoas a obrigação de conseguir sempre os mesmos resultados. No entanto, um indivíduo mais esclarecido e consciente trabalha para desenvolver suas necessidades, mesmo usando outras pessoas como modelo. Se alguém se sente obrigada a correr atrás do sucesso do outro é porque, no fundo, ela teme seu próprio fracasso. Portanto, precisamos sempre estar atentos aos nossos desejos e objetivos e batalhar por eles. O sucesso de uns nem sempre é possível ou desejável para outros. Se ficarmos parados na beira da estrada vendo os outros viajarem felizes rumo aos seus objetivos, isto nos trará angústia e inveja. De nada adiantará desdenhar seus caminhos. Mas se escolhermos o ônibus cujo destino mais nos agrada e nele embarcarmos, vamos descobrir novos companheiros de viagem que desfrutam de uma meta comum e poderemos até, numa parada para um café, descobrir que outros ônibus levam pessoas diferentes para lugares diferentes e nem por isso seus destinos são melhores ou piores que os nossos. |
Wimer Bottura Jr. |