Artigo OBESIDADE E CONFLITO INCONSCIENTE
Remédios, dietas, ginástica e outros recursos podem ter algum resultado Mas efeitos definitivos só podem ser conseguidos com mente e corpo integrados Idealizada pelo prof. e livre docente Dr.Ysao Yamamura, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) a Técnica de Mobilização do Qi Mental, que em chinês significa energia que vem da mente, deverá ser a base da medicina do futuro. Essa técnica tem origem no Tao In ou treinamento interior modificado. Associando os conhecimentos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), aos da medicina neuropsicoendócrina, o Prof. Ysao idealizou esta nova técnica onde o ponto fundamental são as emoções reprimidas que causam várias doenças, inclusive a obesidade. Segundo a médica especialista que conduz o grupo de obesidade do laboratório de Mobilização do Qi Mental da mesma universidade, Dra. Márcia Yamamura, para a Medicina Chinesa há uma diferença entre sentimentos e emoções. Ela explica que é natural ficar com raiva ou contrariado quando alguém nos agride ou dá uma fechada no trânsito, por exemplo. Uma vez cessado o estímulo dessa raiva, quando o carro sai andando ou o agressor foi embora, o efeito passa. Acaba se dissipando. As emoções só começam a ser consideradas, quando o sentimento de raiva permanece. E pode dar início a um processo de adoecimento. “A cada fato vivido ao longo de uma vida, é gerada uma memória de curto prazo, racional, consciente. Em contrapartida, outra memória também é escrita. Esta, porém, emocional e inconsciente, onde se registra o sentido dado ao fato”, disse a professora. E dá exemplos: a pessoa lembra de quando era estudante, passou no vestibular obteve a graduação. Estes são fatos que ficaram registrados mas o que fica armazenado é o conteúdo emocional, o impacto que provocaram. A memória de uma flor, não é apenas sua imagem, mas pode lembrar amor, paixão, carinho. Quando as emoções são agradáveis, não são reprimidas. Mas, quando são ruins ficam armazenadas, em conflito. Todas as vezes que se estabelece esta luta interna entre mente subconsciente e racional, como quero bater, quero reagir, brigar com meu chefe mas não posso, há um julgamento do racional e a emoção fica reprimida, é criado um ambiente propício ao adoecimento. Isso lesa os canais de energia considerados pela MTC. A medicina chinesa considera três níveis básicos de adoecimento: o primeiro é o energético, onde há o desequilíbrio do Qi (energia) nos canais energéticos, o que provoca a disfunção do órgão. O segundo nível, seria o início da degeneração de algum órgão, e o terceiro, é a doença instalada. No segundo estágio, observa-se distúrbios como hipo ou híper tireoidismos, inflamações, artrose, câncer e outros males. Para a medicina chinesa, a maior causa interna de adoecimento são as emoções reprimidas EPIDEMIA O que importa é o sentido dado às emoções. O sentimento independe da pessoa que a ocasionou. Se a briga no trânsito acabou, o sentimento deve ser liberado em seguida redirecionado para fora, o sentido dado à emoção. “Isso, também, não significa que devemos brigar diretamente com alguém. Mas podemos conversar conosco mesmo, na intimidade, refletindo sobre a pequenez e a falta de importância do fato. Algo que nos convença da pouca ou nenhuma importância do fato ocorrido”, disse a médica. A obesidade atualmente pode ser considerada uma epidemia. Segundo a medicina chinesa, este mal não está ligado diretamente ao que se come e ao que se gasta, embora isso colabore com o processo. Na verdade, para essa medicina oriental, precisa haver uma lesão no sistema baço-pâncreas que controla as calorias do organismo. Essa teoria tem bases concretas quando se observa que muitos obesos comem pouco, o que não justifica a velocidade com que engordam. Por outro lado, observa-se pessoas que fazem exercícios, têm uma dieta hipo calórica e não conseguem emagrecer. Aí se chega ao ponto onde há alguma coisa faltando para explicar como se chega à obesidade. Existe uma tabela do IMC (Índice de Massa Corpórea), que classifica os indivíduos com sobrepeso, obesidade graus 1, 2 e 3 e os obesos mórbidos. Quando a pessoa adoece e começa a acumular peso, a medicina chinesa sabe que há três órgãos acometidos: coração, rim e o sistema baço-pâncreas A Dra. Márcia destaca que esses processos de adoecimento não estão restritos à vida adulta, mas têm início na adolescência, primeira e segunda infância, logo no nascimento, inclusive na vida intrauterina. Em resumo: todas as situações vivenciadas durante a vida estão registradas na memória, gerando reações posteriores como medo de morrer, passar fome, ser ameaçado, atacado, tudo isso pode contribuir para a obesidade. Muitos pacientes relatam conflitos emocionais que fazem a pessoa sentir um vazio por dentro, uma sensação de inutilidade. E, na tentativa de compensar esse vazio ou às vezes de se proteger dessas crises, estoca alimentos em forme de gordura. Sobre este assunto, a Dra. Márcia Yamamura elaborou uma tese de mestrado, já em fase de publicação, onde são analisadas as histórias de vários pacientes – segundo a Técnica de Mobilização do Qi Mental. De acordo com os relatos das pessoas, chegou-se à conclusão que estes medos não são racionais e, portanto, a vida do indivíduo não está ameaçada. Mas a ansiedade e a preocupação são constantes o que não acontece em outros indivíduos. SOBREVIVÊNCIA Deve-se considerar que muitas pessoas comem bastante, têm seus medos mas não engordam. Isso remete a preocupações semelhantes às de nossos antepassados. A necessidade de caçar, pescar para não morrer de fome no inverno quando animais e vegetais hibernam. No início, as necessidades eram básicas comer, reproduzir, morar e defender-se de seus predadores. Hoje, com o processo de evolução acelerado, a sociedade de consumo cria nos indivíduos a necessidade de compartilhar seus medos, a convivência nos mesmos territórios e, também, a necessidades quase obrigatórias de ter coisas como eletroeletrônicos, automóveis, celulares, relógios e mesmo dinheiro, gerando desejos e por conseqüência, fontes de estresse. A dra. Márcia explicou que em passado não tão remoto também havia isso. A pessoa se questionava: quero uma vida melhor? Aqui falta comida e oportunidades? O que vamos fazer? Migrar? Hoje não temos a sobrevivência ameaçada como antigamente. Os países são industrializados, mora-se em grandes cidades. O risco de a pessoa ser devorada por um predador quase não existe. Mas, em seu lugar, existe a violência. Portanto, vê-se que tanto ontem como hoje, o que fica registrado em nossas memórias é a emoção. No passado era a caça hoje é celular ou a TV de plasma. Os tempos mudam mas a forma de o ser humano registrar os fatos continua a mesma. Segundo a dra.Márcia, a tese de mestrado foi gerada com informações obtidas de um grupo de tratamento de pacientes com sobrepeso e obesidade do setor de Medicina Chinesa – Acupuntura da UNIFESP. A médica disse que os pacientes foram acompanhados com a ajuda de palestras e discussões em grupo. Nessas reuniões, as pessoas eram informadas não somente sobre problemas de obesidade, mas sobre técnicas para a prevenção de todas as outras doenças. Numa primeira etapa, são analisados apenas os discursos dos pacientes que foram entrevistados. Isso porque a Técnica de Mobilização do Qi Mental ainda é nova no meio científico. O primeiro passo é ouvir de forma científica o que os pacientes contam. Numa segunda etapa, que está sendo desenvolvida agora, a eficácia da técnica é avaliada. Na clínica diária sabe-se que os pacientes emagrecem. “Estamos com uma variação de peso entre 40 a 45 quilos em alguns pacientes”, disse a dra. Márcia. PROCURA O ambulatório geral da Técnica de Mobilização do Qi Mental da UNIFESP existe há quase 6 anos. O grupo de obesidade foi criado além de outros já existentes por causa da grande procura para tratamento dessa doença. É curioso que quase 100% das pessoas que procuram o ambulatório não se consideram doentes. Quase sempre a preocupação é a estética e a baixa da autoestima. Mas a obesidade é uma doença e, pior, geradora de outros males como a hipertensão, diabetes tipo 2, artrose, problemas circulatórios e muitos outros. Para obter melhores resultados e mais eficiência em seus tratamentos, é interessante que os médicos de qualquer especialidade tenham conhecimento da Medicina Chinesa, e comecem a trabalhar com o estudo das emoções na gênese das doenças (na medicina ocidental e tradicional chinesa), o que nada mais é do que a medicina preventiva. Deve-se sempre considerar os mecanismo do estresse e suas conseqüências sobre a saúde. Já passaram pelo grupo cerca de 900 pessoas em 3 anos, com um índice de desistência entre 50% a 55%. Isso é explicado porque com a Técnica de Mobilização do Qi Mental, o indivíduo tem de se autoresolver. Como hoje existem muitos apelos para solução passiva do problema, comprimidos de ação rápida para emagrecimento, por exemplo, as pessoas dão preferência a esses pseudo milagres do que enfrentarem a si próprias. É mais fácil ingerir uma dieta, andar, fazer exercícios numa academia. Mas tudo isso promove resultados temporários se a pessoa não mudou seu relacionamento interior. O que acontece é o conhecido efeito “sanfona’. A Dra. Márcia aconselha que o paciente, primeiro, trate sua mente e, em paralelo, tudo o que se fizer para benefício do corpo terá efeito duradouro e permanente porque mente e corpo são integrados e devem funcionar em harmonia. Meios para emagrecer existem muitos, Tratamentos da mente também. Mas a Técnica de Mobilização do Qi Mental é aquela que reúne as duas, com resultados que interessam a todos, de acordo com os princípios da natureza, da qual sempre fazemos parte. Laboratório de QI Mental da UNIFESP Dra. Márcia Yamamura é médica especialista em Medicina Tradicional Chinesa (MTC)- Acupuntura do Laboratório de Qi Mental da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Fonte: www.amba.org.br |