O espelhamento nunca termina
* Capítulo do livro Filhos Saudáveis, de Wimer Bottura, Ed. República Editorial, p. 54
Além da mãe e do pai, o espelhamento é feito também por outras pessoas. Hoje, as escolas, professores e coleguinhas fornecem importantes informações nesse processo.
É interessante observar como as crianças, com poucas palavras, comunicam-se melhor entre si do que com os adultos. A criação de regras e valores, dentro de um grupo de crianças, começa precocemente na escola maternal, por exemplo. A maioria delas resolve seus problemas, mas com pouca intervenção do adulto, salvo aquelas cujo espelhamento em casa, é defeituoso.
A relação direito-deveres, e o conceito de limites sofre muita influência dos adultos, cujo e espelhamento foi ainda mais defeituoso.
Devemos ter em mente que o espelhamento das gerações, hoje adultas, foi feito de forma absolutamente distorcida.
O espelhamento, na verdade, nunca termina, apenas diminui de importância e muda a função.
No princípio, o espelhamento é necessário para formar a autoimagem, autoestima e autoconfiança, ou para formar os valores e o conjunto de crenças. Na adolescência, serve ainda para confirmar, avaliar as primeiras informações, contestá-las ou mudá-las. Aliás, nesse período, há uma ótima oportunidade para os pais corrigirem os erros praticados nas fases anteriores.
No adulto, o espelhamento serve como ratificação, reconfirmando o que já foi confirmado. Embora já acostumados com o nosso jeito de ser e agir, existe sempre a possibilidade de mudarmos os resultados de nossa ação. É preciso gastar energia pata isso, como, por exemplo, ler este livro e refletir sobre as informações nele contidas. Temos que estar dispostos a fazer coisas para aclarar nossa autoimagem, melhorar a autoestima e autoconfiança.
Muitos pais, não vendo mais possibilidades para si mesmos, passam a viver a vida dos filhos, abandonando seus próprios ideais. De um lado, são companheiros e estimulam seus filhos; de outro, pelas suas atitudes de abandono dos próprios sonhos, acabam passando às crianças que tudo é muito difícil, e que eles não vão conseguir.
PRÓXIMO CAPÍTULO: “Consequências do espelhamento”.
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