A produção do leite materno é estimulada pela sucção do bebê, induzida pela fome. Portanto, dentre os fatores que mais contribuem para que a amamentação natural (no peito) seja interrompida, a introdução do leite artificial é, sem dúvida, o mais importante. Um trabalho, realizado por pesquisadoras da Fiocruz e da UFRJ, no Rio de janeiro, investigou as características das mães que mais precocemente introduzem o leite artificial e constatou que baixa escolaridade, trabalho informal e falta de companheiro contribuem para isso.
De acordo com as autoras do estudo, não ter experiência de aleitamento ao peito também contribuiu para que a mãe recorra ao leite artificial. “As mães que não tinham experiência em amamentar, por serem primíparas, por não terem amamentado o último filho ou por terem amamentado por menos de seis meses, apresentaram uma chance 1,61 vez maior de introduzir leite artificial quando comparadas com as que amamentaram o último filho por seis meses ou mais”, escreveram os pesquisadores em artigo publicado na última edição da Revista Brasileira de Epidemiologia.
Um dado interessante apareceu com relação a mães adolescentes. Apesar de serem mais propícias a dar leite artificial para seus bebês, quando comparadas, no geral, às mais adultas, estarem desacompanhadas faz com que hesitem mais em fazê-lo. “Dentre as mulheres com companheiro, as adolescentes mostraram uma chance 2,06 vezes maior de introduzir leite artificial quando comparadas com as adultas, enquanto entre as mulheres sem companheiro, a adolescência aparece como um fator protetor para a introdução de leite artificial”, dizem as autoras no texto. “Entre as mulheres adultas, as sem companheiro têm uma chance 5,32 vezes maior de introduzir leite artificial do que as com companheiro”.
Educação e situação profissional mostraram sua importância na pesquisa. “Mães com menos de oito anos de estudo têm uma chance 29% maior de introduzir leite artificial quando comparadas com as com oito anos ou mais, enquanto as com trabalho formal e as que não possuem trabalho remunerado têm 60% menos chance de introduzir leite artificial quando comparadas com as que têm trabalho informal”, afirmam as cientistas. Diante dos resultados, elas alertam: “Deve-se capacitar os profissionais de saúde para oferecerem apoio e orientações adequadas às mães sobre aleitamento materno exclusivo até os seis meses, considerando, entre outros aspectos, as características socioeconômicas e demográficas maternas”.
Fonte: Agência Notisa |
|