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EDUCAR É PRECISO

Muitos pais sentem-se perdidos e buscam orientação sobre como educar seus filhos junto a pediatras, psicólogos e professores. A grande educadora Maria Junqueira Schmidt estava cheia de razão quando escreveu: “Nada mais fácil do que ter um filho/Nada mais imperativo que fazer dele um homem/ Nada mais difícil do que fazer dele um homem realizado em todos os planos“.

A realização plena do ser humano depende da educação. Embora seja difícil fornecer aos pais receitas prontas, precisas, claras e eficientes, as medidas essenciais para que uma criança se transforme em um adulto feliz e útil para a sociedade são bem conhecidas.

Então, por que tanta dificuldade? Por dois motivos principais, um perdoável e o outro não. Quanto ao primeiro motivo, a ignorância, os pais, os responsáveis e os professores, desconhecendo essas medidas, sem saber como e quando agir diante de determinadas atitudes e comportamentos das crianças acabam por errar.

No que se refere ao segundo motivo, a omissão, embora sabedores do que deva ser feito, preferem não agir ou seguir caminhos que acreditam mais cômodos e fáceis.

Educação é uma palavra genérica, que abrange instrução e orientação, o que implica disciplina. Sem disciplina é praticamente impossível educar. Discípulo significa “aquele que aprende“. Os filhos são discípulos dos pais, os grandes responsáveis pelo seu aprendizado devido. Daí surgiu a frase “Tal pai, tal filho“.

Embora uma série de fatores possa influir sobre o processo educacional, o mais importante de todos eles, que pode mesmo ser considerado o responsável pelo futuro das crianças, é o comportamento dos pais.

No dia-a-dia, as crianças observam, sem pressa, minuciosa e cuidadosamente, tudo o que os pais dizem e fazem de bom e de ruim e tentam repetir o que vêem, na tentativa de identificar-se com eles. Mais vale o exemplo dos pais do que o mais eloqüente dos sermões.

Para educarmos bem nossos filhos, temos que lhes transmitir os valores necessários para uma boa convivência social; prepará-los para enfrentar as dificuldades do cotidiano, o que só se conseguirá deixando-os vivenciar e resolver situações difíceis; estar prontos para ajudá-los se houver necessidade; estimulá-los, sem interferir, nos diferentes passos de seu desenvolvimento - sentar, andar, falar; ensinar-lhes o que é certo e errado, recompensando-os ou punindo-os com autoridade e muito carinho; escutar o relato de suas vitórias e, principalmente, de suas derrotas e assegurar-lhes que estaremos junto a eles em qualquer circunstância.

Uma das minhas maiores alegrias, que entrou para o meu currículo de pai, foi ouvir de meu filho, de apenas cinco anos: “Papai, eu tenho orgulho de você!“. Se uma criança não tem admiração pelos pais, irá, fatalmente, procurar outros modelos que possa admirar e seguir, muitos, infelizmente, prejudiciais. Um dos pontos comuns entre os membros das gangues de delinqüentes é a falta de um modelo de identificação. Ter um lar onde impere o amor, a compreensão, a atenção, o carinho é fundamental no processo educacional, pois possibilitará que a criança cresça emocionalmente sadia e disciplinada.

A disciplina não deve ser imposta pelo terror, pelos castigos físicos, pelas palmadas. Pais educadores respeitam a criança, são coerentes, não falam uma coisa e fazem outra, não enganam ou mentem, prometendo algo que sabem que não irão concretizar, estabelecem limites, utilizando o diálogo, sem exagerar nas punições ou fazer uso de castigos físicos, sabem que frustrar é muitas vezes um ato amoroso que impedirá a ocorrência de situações desagradáveis ou de risco. Pais educadores não são permissivos por medo de criar “traumas“ ou deixarem de ser considerados “bonzinhos“, o que, na verdade, é um sinal de fraqueza. Por isso tudo é muito comum que haja “tantos pais que têm filhos, mas poucos filhos que têm pais“. (FRANÇOIS GROISSET)

Os pais que seguirem as orientações acima servirão de modelo para os filhos e dificilmente precisarão exigir que sejam respeitados. Infelizmente, a maioria dos pais acha que educar resume-se em dizer “não“ por palavras, gestos ou atitudes. A educação dos filhos, embora seja uma das tarefas mais difíceis, trabalhosas e estressantes, é também, das mais gratificantes, quando levada a bom termo.

Fonte: Brasil Medicina


Ministério da Saúde