Chove meu Deus
Como chove
Chove na ribeira, chove ba floreira, chove na fogueira
Pela ribanceira e desce e cresce e tece uma teia aquática
Sobe pela beira, mata a pimenteira, estrepa a trepadeira
Estraga a terça-feira e corre e escorre e morre na areia náutica
Chove meu Deus
Como chove
Sobre meu canteiro, sobre meus pesqueiro, sobre meu saveiro
Sobre fevereiro e avança e lança cinza e líquida
Vai sem paradeiro, cai sobre o barreiro, é água de mau cheiro
A boca do bueiro é fossa que empoça e almoça a sujeira fétida
Chove meu Deus
Como chove
Chove o tempo inteiro, toca o candeeiro, apaga o fogareiro,
molha o passageiro, a ponte, a fronte que
é meu olhar que é ávido |