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Consequências do espelhamento

* Capítulo do livro Filhos Saudáveis, de Wimer Bottura, Ed. República Editorial, p. 55
Devido a uma série de defeitos no espelhamento, a maioria de nós se vê pequeno para carregar a bagagem de nossa própria existência, e dá sinais de uma autoimagem ruim e inadequada.
Alguns precisam fumar para resolver problemas corriqueiros, outros precisam beber para falar com a paquera; muitos tremem ao falar com seu chefe, outros, quando assumem responsabilidades para as quais não se acham preparados, sentem dor na nuca.
De uma maneira ou de outra, as pessoas que tiveram distorções no espelhamento, escondem suas ideias com medo do julgamento do outro. Procuram se adaptar às expectativas que imaginam que os outros possuem a seu respeito. Nunca dizem não a determinadas pessoas. Evitam a intimidade para que não sejam conhecidas por dentro. Não olham nos olhos dos outros. Engordam demais para se esconderem dentro da massa corporal, ou emagrecem demais para passarem despercebidas. Falam de si, usando o sujeito na terceira pessoa, ou só falam de si, colocando-se como a primeira pessoa. Criticam os outros quando estes estão fazendo aquilo que gostariam de fazer.
Por outro lado, temos as pessoas que gostam de si próprias. Quem é assim não assume riscos desnecessários ou desproporcionais. Não precisa se esconder porque sabe que será aceito. Não precisa se justificar por fazer o que o outro quer: sabe o que quer. Respeita o outro porque se identifica com ele. Não precisa ser melhor que o outro, porque sabe que não é inferior a ninguém. Cumpre seus compromissos porque não assume aquilo que não deve assumir.
Também não come o que lhe faz mal, nem bebe o que lhe agride. Tem prazer me existir. Sua convivência causa o prazer. Rejeita os prazeres inconsistentes das drogas. Não é dependente. Enfim, essas pessoas estão dando sinais de uma boa autoestima.
Agora, uma pessoa autoconfiante é aquela que acredita na possibilidade de atingir seus objetivos, baseados na boa autoestima. Portanto, é realista.
Assume seus erros. Não manipula as pessoas. Compromete-se com o gasto energético para atingir objetivos e dedica-se a busca-los. Acredita que as outras pessoas também podem atingir seus próprios objetivos.
Não entra em competição, a não ser quando está realmente numa competição. Caso contrário, como seria se um piloto de carros de Fórmula-1 necessitasse sair competindo nas ruas? Ele compete nas pistas, pois está lá para isso e, nas ruas, pode ser um motorista prudente e calmo.
A pessoa autoconfiante não tripudia em cima da deficiência do outro, porque sabe que pode atingir seus objetivos sem pisar no outro.

PRÓXIMO CAPÍTULO:  “Espelhando nossas expectativas”.

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