Avaliando a gravidade das respostas
* Capítulo do livro Filhos Saudáveis, de Wimer Bottura, Ed. República Editorial, p. 30
Quando os estímulos se tornam mais intensos, frequentes e duradouros, teremos um desequilíbrio mais grave e consequentemente, ocorrerão alterações energéticas, funcionais e estruturais.
As alterações energéticas estão relacionadas à perda de energia vital por algum tempo. O indivíduo fica mais exposto a fatores ambientais e situacionais e poderá, por exemplo, ter sono, diminuição das defesas imunológicas ou desmotivação passageira.
As alterações funcionais já são mais graves. Há alteração na função de um órgão sem que haja, no entanto, uma lesão. O indivíduo apresenta sintomas específicos, tem ainda maiores perdas energéticas e maior sensibilidade à atuação de fatores ambientais.
Todos esses fatores, como persistência de alterações funcionais, a cronificação de suas manifestações e de seu funcionamento, as secreções alteradas, irão repercutir no próprio órgão, ou nos correlatos, e gerar distrofias. Essas alterações são denominadas estruturais.
Poderemos entender melhor essas alterações se tratarmos do crescimento ósseo. Esse crescimento sofre influência da musculatura que envolve o osso – músculo. Ou seja, pode haver um caso de uma lesão estrutural, desenvolvida a partir da emoção ou de um comportamento inadequado do indivíduo.
Nem sempre a contratura muscular é consequência de uma agressão mecânica. Quando acionamos os mecanismos de defesa corporal, por exemplo, sempre geramos uma contratura muscular. Pode ser que estejamos nos defendendo de uma dor por traumatismo ou infecção, de uma emoção, de um medo. Como a resposta da defesa corporal implica, obrigatoriamente, em medo, ele é também aquele que estimula a defesa. É comum vermos atletas sofrerem contraturas em épocas de grandes decisões. Alguns dirão que é apenas uma tensão. Mas o que é tensão senão uma resposta de medo?
A persistência de estímulos ameaçadores, ou de alterações funcionais, gerará também mudanças estruturais no organismo: lesão, hipotrofia de determinados elementos e hipertrofia de outros.
Imagine que você ficou sessenta dias com um dos pés engessado. Para se movimentar, precisou andar de lado, mancou, forçou determinados músculos a funcionar de forma diferente da habitual. Inicialmente, você alterou a sua própria energia, e depois a função de seus músculos, o que resultou numa perna mais fina que a outra. Agora, se você ficasse mais seis meses imobilizado, seria mais difícil corrigir as alterações e os vícios posturais adquiridos.
PRÓXIMO CAPÍTULO: “As consequências dos distúrbios de comunicação”.
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