As diferentes linguagens do nosso corpo
* Capítulo do livro Filhos Saudáveis, de Wimer Bottura, Ed. República Editorial, p. 25
Como estamos vendo, a comunicação é essencial quando falamos do indivíduo e de seu relacionamento com o outro, com as outras pessoas, porque é ela que estabelece as informações e os códigos para a nossa sobrevivência.
Ao longo da vida, o indivíduo passa por várias fases e experimenta também vários estágios de comunicação. Recebe o código genético, que traz as informações dos antepassados, e o deixa também para a sua prole. Podemos afirmar que a linguagem não-verbal é predominante em toda sua vida, embora, quando adulto, o indivíduo tende a subjugá-la ou mesmo tem dificuldades de entendê-la.
A comunicação pais – filhos começa muito antes do que imaginamos e, de início, tem a linguagem não-verbal como principal instrumento. A comunicação começa quando dois corpos, do homem e da mulher, sinalizam, leem e reagem à atração física que culminará na fecundação. Na fecundação, também dois códigos genéticos, do pai e da mãe, se encontrarão. Ou seja, ao se enamorarem, tanto o homem como a mulher já exercitam seus protocolos para esse tipo de comunicação, seja refletindo, planejando ou criando expectativas sobre como serão seus filhos, seus companheiros e suas relações.
É importante observarmos que a comunicação não-verbal vai além dos sentidos que conhecemos, como o olfato, audição, tato e paladar, porque se faz também através de cadeias bioquímicas.
Você sabe, por exemplo, por que o cérebro reage ante às ameaças? Ou por que a tireoide responde a um estímulo da hipófise? Ou por que as células sanguíneas vão ao local agredido para fazer a inflamação?
As cadeias bioquímicas, assim como os estímulos neuronais, também têm a função de comunicação. Isso quer dizer que o corpo está sempre sendo informado do que se passa com ele. O cérebro trabalha com as informações que recebe do resto do corpo, sem ser necessário que uma bactéria, por exemplo, chegue ao cérebro para que o restante do organismo reaja. o espirro, a tosse, e tantas outras defesas periféricas do organismo, são respostas imediatas às informações que chegam ao cérebro. Se fosse preciso que a bactéria viajasse até o cérebro para que ele reagisse, poucas pessoas sobreviveriam a esse ataque.
Da mesma forma, isso acontece com a invasão de um elemento químico, um tóxico, ou qualquer forma de agressão do organismo. As manifestações alérgicas periféricas, por exemplo, estão tentando proteger as partes mais nobres que temos. Se essas proteções falharem ou forem suprimidas, o corpo será atacado de tal maneira que haverá consequências danosas para o indivíduo, já que o cérebro não foi avisado do risco a que estava sendo exposto.
o mais importante dessas observações é que, desde o início da gestação, do período fetal, as informações estão se processando. Logo, tudo o que se passa com a gestante repercute instantaneamente no feto. Existem mecanismos, cadeias de transmissões bioquímicas, que fogem ao controle da mãe e, desde cedo, já podem estar impregnando o bebê de vários conteúdos, códigos ou informações.
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