ADITIVOS ALIMENTARES

SINTOMAS DE TDAH


Aditivos alimentares associam-se com sintomas de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), de acordo com resultados de um ensaio randomizado publicado em recente edição de Archives of Disease in Childhood. Os investigadores sugerem sua remoção da dieta das crianças.
De acordo com B. Bateman, da University of Southampton, no Reino Unido, e colaboradores, não há estudos populacionais examinando a prevalência de hiperatividade relacionada à intolerância a aditivos alimentares após as alegações iniciais do seu efeito prejudicial sobre o comportamento das crianças. Estudos subseqüentes, apesar de metodologicamente melhores, têm falhado em corroborar essa alegação ou têm mostrado apenas um pequeno efeito.
Para determinar se os corantes artificiais e conservantes alimentares na dieta influenciam o comportamento hiperativo em crianças com 3 anos de idade, uma amostra com 1.873 crianças foi triada quanto à presença de hiperatividade em condições basais. Foram realizados testes de inoculação cutânea para identificar atopia em 1.246 crianças.
Depois dos testes basais, as crianças receberam uma dieta isenta de corantes artificiais e de conservantes do tipo benzoato por uma semana. Nas três semanas seguintes, receberam, em ordem aleatória, períodos de teste dietético com uma bebida contendo corantes artificiais (20 mg ao dia) e benzoato de sódio (45 mg ao dia) ou uma mistura de placebo, além de sua dieta.
Durante a fase de retirada, houve reduções significativas do comportamento hiperativo. Com base em relatos dos pais, houve aumentos significativamente maiores do comportamento hiperativo quando as crianças recebiam a bebida contendo aditivos do que quando recebiam a bebida placebo. A presença ou ausência prévia de hiperatividade ou de atopia não influenciou esses efeitos. Não houve diferenças significativas detectadas por testes comportamentais objetivos realizados na clínica por um examinador cego para as características da dieta.
Segundo os autores, há um efeito adverso geral dos corantes e conservantes com benzoato colocados nos alimentos sobre o comportamento de crianças com 3 anos, o qual é detectável pelos pais, mas não por uma avaliação clínica simples. Os subgrupos não se tornaram mais vulneráveis a esse efeito por seus níveis anteriores de hiperatividade ou pela atopia.
As limitações do estudo incluem possível auto-seleção das famílias para tomar parte na estimulação alimentar, a finalização de todas as fases do estudo por apenas 70% (277 de 397) dos participantes e incapacidade de demonstrar alterações na hiperatividade com base em testes administrados por psicólogos. Os autores recomendam tentativas de reaplicação em outras amostras da população geral e extensão deste estudo a faixas etárias maiores.
Esses achados, portanto, sugerem que poderiam ser produzidas alterações significativas no comportamento hiperativo das crianças pela remoção de corantes artificiais e do benzoato de sódio da dieta. O potencial benefício a longo prazo para a saúde pública que poderia surgir é indicado pelos estudos de acompanhamento que têm mostrado que a criança hiperativa com pouca idade tem risco de continuar com as dificuldades de comportamento, incluindo a transição para distúrbio de conduta e dificuldades educacionais.
Arch Dis Child 2004;89:506-511.

Fonte: www.neuropsiconews.org